quinta-feira, 10 de março de 2016

Nana Vasconcelos - Saudades



Este magnifico disco foi gravado no ano de 1979 pelo mestre Naná Vasconcelos (berimbau/percussão/vocal), Egberto Gismonti (guitarra) acompanhados nada mais nada menos que a Stuttgart Radio Symphony Orchestra (arranjo).
Se existe alguma coisa que vou me lembrar com certeza quando envelhecer, será a primeira vez que ousei escutar esta mítica gravação. Todos os caminhos que a orquestra percorre, as notas intrincadas, a guitarra de Egberto e o toque miraculoso de Naná para caracterizar um disco, que se tivesse outro nome na percussão, falharia miseravelmente. 

O baque é instantâneo e duradouro no decorrer de todos os 44 minutos que envolvem o registro. Cada tema que o forma se desenrola com os ares épicos dos grandes embates trovadorescos de nossa história em séculos clássicos e já anteriores. E no geral existe uma energia que se mantém dentro deste clima único, mas que dentro de cada rito deste grande ato, acopla e sustenta uma energia própria.

Mas nem é isso que deixa os ouvintes costumeiramente embasbacados, o que o faz é como a criatividade de apenas um berimbau consegue se equiparar com uma orquestra completa e ainda colocá-la no bolso! É completamente desconcertante conceber que apenas um homem consiga tantos sons diferentes de um único instrumento, utilize sua voz como complemento de toda essa sinestesia e ainda supere um coletivo de músicos com tantos timbres inusitados.

E o mais impressionante é que a orquestra, no fundo no fundo mesmo, faz sala para que o maestro de Recife apenas consiga cumprir com sua missão de vida e música: mostrar o poder da percussão e trabalhar com este elemento como se este fosse a orquestra, por isso que o coletivo da Stuttgart Radio Symphony perde sua majestade, mesmo com a condução de Mladen Gutesha. Se alguém aqui rege alguma coisa esse alguém é Naná e seu comparsa de outros contundentes registros: Egberto Gismonti.

Músico do mais alto gabarito técnico, que surge em vossos ouvidos depois que Naná brinca com nossa mente enquanto emite ”Vozes” e finaliza o tubo com ”Ondas”. Temas que parecem fechar um ciclo nesse complexo trabalho, pois com a entrada de Egberto em ”Cego Aderaldo”, parece que o aspecto sensorial de uma volta nas trilhas Amazônicas fica mais tangível com os arpejos de ”Dado” e as suítes que nos guiam à terra firme.

”Saudades” não é só um disco absurdo devido a sua complexidade e criatividade. Esse CD, que um dia foi LP, é uma obra consagrada por sua profundidade, desde o feeling de todos os músicos envolvidos até a percepção única de Naná, que praticamente indivisível à percussão, cria temas que transportam o ouvinte para lugares incríveis.

Depois de virar o primeiro lado parece que você é um náufrago na floresta. Quando Egberto entra, as vozes param de confundir o raciocínio e a viola apenas conta como é ir e voltar para lugar nenhum, depois de sair de qualquer lugar. Transcendental.

Nana Vasconcelos - Missing
This magnificent album was recorded in 1979 by Nana Vasconcelos (berimbau / percussion / vocals), Egberto Gismonti (guitar) accompanied nothing less than the Stuttgart Radio Symphony Orchestra (arrangement)

If there is anything that I certainly remember when you do, it is the first time I dared to listen to this mythical recording. All roads to the orchestra travels, intricate notes Egberto the guitar and the miraculous touch of Nana to characterize a disc, which had another name on percussion, fail miserably.

The thump is instant and lasting throughout all 44 minutes involving the registry. Each theme that the way unfolds with epic airs of the great trovadorescos struggles of our history in classical centuries and already earlier. And in general there is an energy that remains within this unique climate, but that within each rite of this great act, engages and sustains its own energy.

But not this is what makes the customarily dumbfounded listeners, what does is how creativity only one berimbau can be equated with a full orchestra and also put it in your pocket! It is quite confusing design that only a man can so many different sounds from a single instrument, use your voice to complement all that synesthesia and still overcome a collective of musicians with many unusual timbres.

And most impressive is that the orchestra, deep down even makes room for the conductor of Recife only able to fulfill its mission of life and music: show the power of percussion and work with this element as if it were the orchestra , so that the collective of the Stuttgart Radio Symphony loses its majesty, even with driving Mladen Gutesha. If anyone here governs something that someone is Nana and his partner of other hard-hitting records: Egberto Gismonti.

Musician highest technical feedback that comes in your ears after Naná plays with our minds while giving "Voices" and ends with the tube "waves". Themes that seem to close a cycle in this complex work, because with Egberto entry in "Blind Aderaldo," it seems that the sensory aspect of a turn in the Amazon tracks is more tangible with the arpeggios of "As" and the suites that guide us to land.

"Missing" is not only absurd disk due to its complexity and creativity. This CD, which was once LP, is a work dedicated by its depth, from the feeling of all the musicians involved to the unique perception of Naná that virtually indivisible percussion creates themes that carry the listener to amazing places.

After becoming the first side it seems that you are a castaway in the forest. When Egberto comes, they stop voices to confuse the reasoning and viola only counts as go back and forth to nowhere, after leaving anywhere. Transcendental.


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